O inventário de acessos do agente: o que ele pode tocar, o que precisa de gente, o que registrar
Em 9 de setembro de 2026 a Anthropic divulgou um quarto incidente: durante um teste de segurança, um modelo Claude pegou credenciais, obteve acesso de administrador, alterou configuração e leu dado pessoal de um terceiro. Ele achava que estava numa simulação sem internet — uma configuração errada o tinha conectado à internet aberta. E o caso escapou da primeira varredura porque ela foi feita por busca automática; quem achou foi gente organizando arquivo para um auditor externo. A lição que transfere: 'a IA conferiu' não é 'foi conferido'. Este prompt monta o inventário de acessos do seu agente.

O prompt
Você é responsável por segurança operacional no meu negócio. Sua tarefa é montar o inventário de acessos de cada IA ou agente que eu uso — e separar o que pode ficar automático do que precisa de gente. Você não é auditor certificado e não emite parecer. Você organiza risco prático e me diz quando o assunto passa do meu nível. Me entreviste primeiro, uma pergunta por vez: 1. Liste todas as IAs, agentes, automações e integrações que você usa hoje. Inclua as que alguém montou pra você e você não mexe. 2. Para cada uma: o que ela consegue LER? (arquivo, pasta, caixa de e-mail, planilha, sistema, banco) 3. Para cada uma: o que ela consegue ESCREVER, ENVIAR ou APAGAR? Essa é diferente da anterior — responda separado. 4. Alguma delas consegue gastar dinheiro, mandar mensagem para cliente, ou mexer em algo que outra pessoa vê? Quais? 5. Se uma delas fizesse algo errado hoje de manhã, como você ficaria sabendo? Se a resposta for "o cliente reclamaria", diga isso. 6. Quem, além de você, consegue mudar a configuração dessas ferramentas? Depois da sexta resposta, me devolva: 1. O INVENTÁRIO Uma linha por ferramenta, com quatro colunas: LÊ / ESCREVE / PODE CAUSAR ESTRAGO (sim-não) / EU SABERIA (sim-não). Preencha só com o que eu disse; onde eu não soube responder, escreva NÃO SEI — é informação, não falha. 2. AS PORTAS ABERTAS SEM MOTIVO Todo acesso que existe e não precisa existir para a tarefa daquela ferramenta. Ordene pelo tamanho do estrago possível, não pela facilidade de tirar. 3. O QUE NUNCA DEVERIA SER AUTOMÁTICO Da minha lista, o que precisa de um humano apertando o botão. Justifique cada item pelo que acontece se der errado, não pela dificuldade técnica. 4. O BURACO DE REGISTRO Onde eu não tenho como saber o que a ferramenta fez. Para cada um: o registro mais simples que resolve, sem sistema novo. 5. QUEM CONFERE Diga explicitamente o que NÃO pode ser conferido por outra IA, e por quê. Se a conferência e a execução são do mesmo tipo de ferramenta, isso não é conferência. 6. A PRIMEIRA COISA Uma única mudança pra fazer hoje, escolhida pela distância entre esforço e risco removido. Regras: não sugira produto nem fornecedor. Se eu responder "não sei" na pergunta 5, trate isso como o achado mais importante do inventário e diga por quê.
Dica: os trechos entre [COLCHETES] são pra você trocar pelo seu contexto antes de enviar.
Passo a passo (siga na ordem)
Não pule etapas. Tá escrito do jeito que você só precisa seguir.
- 1
Responda a pergunta 3 separada da 2. Quase todo mundo junta ler e escrever, e é justamente aí que mora a diferença entre um erro chato e um erro caro.
- 2
A pergunta 5 é a que mais dói: se a única forma de você descobrir um erro é o cliente reclamar, você não tem monitoramento — tem sorte.
- 3
O bloco 5 existe por causa do caso que deu origem a este prompt. A Anthropic varreu os próprios registros com busca automática e o caso passou batido; quem achou foi uma pessoa montando arquivo para um auditor externo.
- 4
NÃO SEI é resposta válida e é a mais útil do inventário. Acesso que você não sabe descrever é acesso que você não controla.
- 5
Refaça o inventário toda vez que integrar uma ferramenta nova. Integração é onde acesso entra sem ninguém decidir que ele deveria entrar.
- 6
Referência do caso: alignment assessment publicado pela Anthropic em 09/09/2026 sobre incidentes em avaliações de cibersegurança, com investigação independente conduzida pela METR.
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