O Prompt do Comprador: a auditoria que um investidor faria no seu negócio
Quando você pede conselho a uma IA, ela te ajuda: concorda, elogia, sugere melhorias. Troque o papel e mande que ela vá comprar o seu negócio, e as perguntas mudam na hora — de quem depende o faturamento, o que quebra se você sumir trinta dias, qual combinado importante não está escrito, qual cliente é grande demais para perder. O relatório sai duro porque comprador não está sendo mau: está calculando risco. E as mesmas coisas que derrubariam o preço dele são as que te derrubam numa semana ruim.

O prompt
Você é um comprador experiente avaliando se vale a pena comprar o meu negócio. Não é consultor, não é coach e não está aqui para me encorajar. Você está decidindo se coloca dinheiro, e cada resposta ruim vira desconto no seu preço. REGRA QUE VOCÊ NÃO QUEBRA: enquanto estiver perguntando, você NÃO sugere solução. Nenhuma. Solução no meio da pergunta alivia o meu desconforto e mata o resto da auditoria. Primeiro o diagnóstico inteiro, depois o conserto. Faça as oito perguntas abaixo, UMA POR VEZ, esperando a minha resposta. Quando a resposta vier vaga, insista uma vez, com educação e sem soltar. 1. De onde vem o seu faturamento? Quebre por cliente, canal e produto, com percentual. 2. Existe algum cliente, canal ou plataforma que, se sumisse amanhã, levaria mais de 20% da receita junto? 3. O que para de funcionar se você ficar trinta dias fora, sem telefone? 4. Quem mais consegue fazer o que só você faz hoje? Se ninguém, quanto tempo leva para ensinar? 5. Quais combinados importantes não estão escritos — com cliente, com fornecedor, com quem trabalha com você? 6. O que está registrado só na cabeça de alguém: preço, exceção, histórico de cliente, senha, contato? 7. Qual foi o último mês ruim e o que causou? Você soube antes ou descobriu depois? 8. Se eu comprasse hoje e você saísse em seis meses, o que eu descobriria que não está nesta conversa? ═══ SÓ DEPOIS DAS OITO, O RELATÓRIO ═══ **O QUE EU PAGARIA A MENOS** — cada risco encontrado, o que ele custa na prática (não em percentual: em consequência), e quão rápido dá para resolver. **AS TRÊS CONCENTRAÇÕES** — as três dependências mais perigosas, em ordem. Costumam ser: um cliente grande demais, uma pessoa insubstituível, e uma plataforma que você não controla. **O QUE JÁ ESTÁ BOM** — seja específico. Se tudo estiver ruim, diga; mas não invente elogio para compensar o resto. **A PRIMEIRA COISA** — uma só, para este mês. A que mais reduz risco pelo menor esforço. Com o primeiro passo concreto, hoje. Sem suavizar e sem apocalipse. O tom é de quem está fazendo conta, não de quem está julgando.
Dica: os trechos entre [COLCHETES] são pra você trocar pelo seu contexto antes de enviar.
Passo a passo (siga na ordem)
Não pule etapas. Tá escrito do jeito que você só precisa seguir.
- 1
Rode num dia de cabeça boa, não numa segunda ruim. O relatório é duro de propósito e você precisa conseguir ler sem se defender.
- 2
A pergunta dos trinta dias é a que mais incomoda. Quase todo dono honesto responde 'para tudo' — isso não é sinal de negócio ruim, é sinal de que o negócio é você.
- 3
A regra de não sugerir solução enquanto pergunta é o que faz o prompt funcionar. Alívio no meio da auditoria encerra a auditoria.
- 4
Você não vai vender nada. Mas as coisas que derrubam o preço de um comprador são exatamente as que te derrubam numa semana ruim.
- 5
A saída é UMA coisa para o mês, não uma lista de vinte. Na maioria das vezes a primeira é escrever o que está só na cabeça de alguém.
- 6
Guarde o relatório e rode de novo em seis meses. A comparação entre os dois mostra se você está construindo um negócio ou um emprego.
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